Hoje escrevendo um agravo em execução, pensando nas teses que caberiam, por alguns instantes me coloquei no lugar do apenado. Um cara que cumpre pena no regime fechado, no entanto, ainda preso provisório e com direito a progressão de regime e ao livramento condicional. Direitos estes garantidos pela nossa CF e também previstos na LEP. Pensei como ele se sentiu ao ser "entrevistado" por 3 profissionais diferentes e ao final ter um "NÃO" como resposta ao seu pedido de progressão, pois essas 3 pessoas disseram ao juiz que ele não está apto a cumprir pena em regime mais brando.
Pensei como ele deve ter se sentido, como teria sido o dia anterior à resposta do juiz. Me pergunto o que ele fez? Se fosse eu talvez um dia antes à decisão teria muita esperança, olharia para as grades e os muros do Presídio Central, olharia para meus companheiros de cela, para as baratas e ratos e pensaria: "Amanhã, se Deus quiser, eu saio daqui". Esse pensamento, talvez, me desse alguns minutos de liberdade.
No entanto, em apenas algumas frações de segundo essa esperança se esvai por completo, e o sentimento de liberdade torna-se cada vez mais distante. E uma perguntinha básica fica grudada na cabeça: "Quem são estas pessoas e o quanto eles me conhecem para dizer se estou apto ou não a ficar no semi-aberto?". E eu mesmo respondo: "Ninguém.".
Ao meu ver em uma entrevista de menos de 30 minutos NINGUÉM consegue conhecer uma pessoa. Eu não seu se vocês já foram em um psicólogo ou psiquiatra, é padrão eles pedirem que a pessoa retorne para conversar pelo menos mais umas 7 vezes seguidas. E como com 30 minutos de conversa (muitas vezes é menos tempo) uma pessoas pode dizer a outra que ela não tem direito à progredir de regime, pois ela viu uma personalidade perturbada?? Certamente estas "profissionais" não têm noção do que seus laudos CTRL 'C', CTRL 'V', têm poder, mudam a vida de uma pessoa.
Precisava compartilhar isso.
Patrícia
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